terça-feira, 3 de julho de 2007

Tem uma pedra no meu sapato - Parte I

Acordei cedo, como de costume, tomei o meu banho, fiz todo aquele ritual matinal que vocês conhecem e fui para o trabalho. Ao chegar no ponto de ônibus alguma coisa estava me incomodando.

_Pedra maldita, está acabando com o meu dedão essa merda.

Quando eu ia tirar o sapato, chegou o ônibus e eu tive que entrar. No ônibus eu não pude me sentar, pois estava lotado (o que não me surpreendeu), mas eu era persistente, apesar de o meu dedão estar todo fodido.

Aí adivinha só a minha surpresa, o ônibus estava sendo assaltado. Já estava pegando o dinheiro do ladrão, como eu já separava semanalmente, por puro hábito, já que nós éramos sempre assaltados. Imagine a minha surpresa ao ver que o assaltante era um amigo meu de escola, aí aconteceu o que eu mais temia, o ladrão me reconheceu. ME FODI GOSTOSO.

_ Salve, Pietrão, você está lembrado de mim?

_ Claro que estou, grande Zé! (até parece que eu ia esquecer uma mala dessas).

_ O que faz da vida rapaz?

_Ah, estou trabalhando como “consultor técnico particular de informática” (resumindo, “Desempregado fazendo bico consertando computadores”), e você? (por que é que eu fui perguntar?).

_ Ah, você sabe que a vida anda difícil, né? Então eu resolvi optar por um emprego cuja remuneração é gratificante, o trabalho é pouco, mas os riscos são muitos (tradução: ladrão).

A maldita da pedra continuava me incomodando, e muito, e eu não podia tirar uma pedra do sapato dentro do ônibus, com todo mundo olhando feio para mim por causa do Zé, maldito Zé.

Cheguei no meu ponto e desci, foi quando eu pensei. “É agora!”, quando eu me preparava para tirar o sapato chegou a minha deusa, ela trabalhava comigo, aliás, ela procurava emprego comigo, e eu não pude tirar os sapatos, afinal, as unhas dos meus pés estavam tão compridas que elas já começavam a furar o bico do sapato.

_ Oi Pietrinho!

_ Oi Carol! Tudo bom?(ficando chateado com a pedra).

_ Tudo e com você?

_ Do tornozelo pra cima tudo ótimo…

Carol caiu na risada, e eu dei um sorrisinho amarelo, tão amarelo que se o Zé me visse agora ele me roubaria pensando que eram dentes de ouro. Fomos até uma firma procurar emprego, fiquei horas na fila, e quando cheguei para ser entrevistado a pedra estava me matando, até que o entrevistador me perguntou:


O que o chefe terá me perguntado? Por que a Carol não me deixa tirar os sapatos? E será que eu faturo essa bocada? Não percam os próximos capítulos de "Tem uma pedra no meu sapato".

5 comentários:

Carlos Filho disse...

Vamos ver o q nos aguarda!

Flavio Carvalho disse...

Caraca Pietrão,

Belo texto, bem humorado
e interessantíssimo,

as alegorias estão jóia,

como [um emprego cuja remuneração é gratificante, o trabalho é pouco, mas os riscos são muitos (tradução: ladrão).]

a do sorriso amarelo foi massa também.
vamos ver a continuação
desta saga,

parabéns.

Bruno Carvalho disse...

Bem humorado e bem escrito, é isso ai meu!

Parabéns!

balula!

Ciro M. Costa disse...

Muito legal, Pietrão! Está supreendendo mesmo! Essas sacadas do "dinheiro separado para o assalto" e o "sorriso amarelo" são idéias q eu gostaria de ter tido antes, hehehe!!
Vamos ver no q vai dar!
Abraaaaço!!!

Cissa Teixeira Oliveira disse...

Além de reafirmar o que foi comentado anteriormente, acrescento que se a moda das "sagas" pegar eu vou ter um troço! (Dâr!)
Ahahahahahahha!!!