quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

E continuamos com a série : Os poetas do apocalipse

este poema é de Flávio Otávio Ferreira, um grande poeta
de Bela Vista de Minas, um poema de peso, que só falta
ser difundido nos melhores meios.


Um homem fragmentado


A impotência das mãos não transgride lei alguma

Outrora fora solidário e quisera transformar o mundo
Os anos se foram, os tempos de luta caducaram
Num passado recente.

O cansaço dominou a face e a força propulsora
Que o fazia crer na igualdade de classe
E na liberdade dos povos.

Sua mente rebelde foi seduzida pelas cores
Que o futuro presente fora lhe introduzindo
Massifica-mente.

A impotência das mãos não transforma idéias.

Outrora fora intelectual engajado, dito pensador
De um tempo de turbulência, militante
De causas grandiosas.

A sorte de seus consortes o assustou profundo
E ideologicamente, escolhera desde então,
A suspensão.

De mãos em posse de um controle remoto
Observa do lado inverso o que acontece
Pelo mundo afora.

Choca-se. Perde o senso e se aborrece.

Mas seu corpo vive estático ante a janela do mundo
E a admiração é maior do que viver nele,
Se esconde.

As décadas passaram, e as gerações esvaziaram
A mente como quem esvazia um balão
E o ruído irritante chama-se: modernidade.

E, os olhos prosseguem vidrados,
Aniquilada qualquer idéia
Que subverta a direção das coisas.

E, as coisas caminham pela rua.

Out doors ambulantes e vis pensamentos
Em uniformes medíocres
E padrões inconcebíveis.

O homem fragmentado se plastificou,
Massa incoerente, sem objetivos próprios,
Sem desejos, sem prazeres, sem viveres.

Perdera a consciência autônoma
E subserviente permanece imóvel
Em movimentos precisos

Controlável como máquina de produção
Não cria nem procria,
O que faz é abastecer o mundo

De novas cabeças sedentas de pensamento
Que logo serão domadas e treinadas
À submissão total.

Agora, não usam correntes, nem outras amarras,
Uma tela hipnótica os reduz em seres acéfalos
E eles nem sabem.

4 comentários:

Carlos Filho disse...

Ufa!
Achei q ninguem mais postaria aqui...hahahahaha

Boa Flavãããoooo.

Ciro M. Costa disse...

Até q enfim atualizaram essa joça, hein?

Brincadeira aí, Carlim!!!!!!!

maluco jóinha disse...

Poeminha... lesgal, aí!

Flávio Otávio Ferreira disse...

Sem comentários ao texto. Venho apenas agradecer ao Flavão, grande camarada, por expor aqui este meu poema. Valeu cara, pelas palavras amigáveis!
Grande Abraço!