domingo, 8 de junho de 2008

Esperança

De joelhos no chão, com os olhos voltados para cima um jovem questiona os céus.

- Porque não me dê as respostas logo? Esse seu jogo não me comove nem me convence mais! Esperava mais de você, “Pai”!

Dizendo está ultima palavra com um tom irônico revelado somente aos céus. Como um segredo.
Em uma direção totalmente contraria ao que seguia seu olhar, surge algo como uma cratera. Espalhando rachaduras pelo chão e trazendo a atenção do jovem para o mesmo rumo.

- Procuras apoio, meu filho? - Uma voz vinda logo a baixo de seus pés, como se ali houvesse uma escada, surgindo vagarosamente algo, nem humano, nem animal. Uma mistura vinda das imagens traçadas dele mesmo, tudo aquilo que o jovem imaginava, surgia em sua frente.
- Quem é você? O que é isso?
- Sou eu mesmo! Deixe suas duvidas tolas de lado pois sabes muito bem quem sou. Me chame como quiser, apenas quero lhe ajudar.

Com o olhar novamente voltado aos céus o jovem indaga:

- Então é isso. Peço sua ajuda e quem vem me socorrer ele. Mais uma vez me provas por onde realmente devo andar. Você mesmo prova em quem devo acreditar, não é? NÃO É? - Dizendo isso gritando, com um ódio e um sentimento de descrença que chamais havia sentido antes, mesmo já tendo sentimento parecido. Surge em sua alma um fracasso de si mesmo.
- É por isso que estou aqui, meu filho. Quero lhe mostrar o verdadeiro caminho. – Ele estende uma pena com um papel em branco em direção ao jovem. – Apenas assine aqui e terás tudo que procuras!
- Não tem nada escrito aqui? Porque assinaria?
- Acho que, pelo mesmo motivo que apenas eu vim lhe ajudar!

Quando o jovem segura a pena, um corte surge em seu dedo e uma gota de sangue que ali aparece cai rumo ao papel em branco.
Neste momento, tudo acontece em “câmera lenta”. Lentamente surge em seus pensamentos momentos jamais lembrados por ele. Sua infância, adolescência e fazes que não pareciam fazer parte de sua vida. Conseguria ver até seu nascimento, a perda de sua mãe e todos seus conflitos pessoais. E neste mesmo instante surge varias passagens, que não era de sua vida, e sim, de seus sonhos. Uma dela era a lembrança de uma luz que sempre lhe confortava em seus pesadelos. Sempre que houvesse um problema, surgia a luz lhe trazendo paz pelo dia seguinte. Uma luz que ele denominava, mãe. E neste momento a luz surge e em um só golpe atinge a folha em branco a queimando, fazendo com que a gota de sangue perfure o chão, parecendo atravessar toda a profundeza ali existente, parecia não ter fim o que aquela gota atravessava, rasgando todo o chão e deixando um rastro de destruição, atingindo o ultimo pedaço daquela cratera e deixando a visão de um mundo obscuro e triste que logo após é destruído pela própria gota.

- O que é isso? Pergunta o rapaz, ainda incrédulo.
- Esta é sua vitória e minha derrota, filho. Sua ultima gota de esperança destruiu todo o mundo que criei para você.
- Isso quer dizer que ainda tenho salvação?
- Essa resposta não sou eu que lhe direi. Mas saiba que seu lugar estará sempre o aguardando, “filho”!

E sai de cena aquele ser horripilante, deixando apenas uma mancha no chão, e um papel sobre ela, apenas um papel em branco!

5 comentários:

Pietro disse...

nossa que fofo!!!

(Esse foi um comentário gay)

Flavio Carvalho disse...

Ô loco nenê!

Como se fosse um conflito mental
, só que personificado

muito bom!

Ciro M. Costa disse...

Todos temos salvação, hã?

Muito bom mesmo!

Senhor Capitão disse...

Deus... este sim é nosso grande coronel.

Sessyllya disse...

Huuuummm...