quinta-feira, 19 de abril de 2007

Teorias modernas de estado

Penso nos instintos humanos, uma imensa guerra que acontece dentro de cada um, milhares de reações químicas culminam em paixões diversas que escravizam este símio sofisticado.
Estou na porta do bar do Gilson, espero minha presa de hoje, um autodidata, porém enlouqueceu em meio as teorias sobre o estado, acredita que uma ditadura resolveria o problema do país, acho difícil, mesmo que tivéssemos um estadista perfeito isso só retardaria o problema.
Justamente por causa das milhares de reações químicas que acontecem dentro do homem, queira ou não queira, viver dói, os conflitos internos, o choque de emoções, a imensa incerteza, faz o metabolismo doer, quer saber o que é viver sem dor, experimente uma carga de endorfina, o hormônio natural que o corpo produz em casos extremos, como o da morte, um hormônio contra a dor, temos um similar externo, chama-se morfina.
O fato de esperar minha presa dói, adrenalina, outro hormônio, estou nervoso, muita pressão, na verdade não preciso fazer isso, mas é um treinamento para minha liberdade, e meu anseio pela liberdade se consolida no meu mais pesado grilhão.
O homem, o homem e sua sede de conflito, nunca satisfeito, o conflito nutre o homem, e com certeza em uma utopia o homem não resistiria, pela sua desordenada cadeia de reações químicas internas, o homem necessita sempre viver em estado de perigo, ter sempre um inimigo comum, estar sempre em guerra, e quando na falta deste inimigo, ele cria um, é daí que nasce o maior dos conflitos dentro do símio, a luta entre o bem e o mal.
Ainda não aprendi a manter a calma em situações como esta, não tenho nervos de aço como Príncipe Guilhermino, entro no bar e apelo para um recurso bem humilhante porém ajuda bastante, a aguardente desce de uma vez, queima o estômago ao invés da garganta.
A guerra nutre o homem, nutriu por muitos anos, a guerra direta, o embate corpo a corpo, agora temos recursos, mas parecem não ser suficientes, a sugestão dos gregos, o esporte ajuda bastante, mas não é o suficiente para deter a terrível instabilidade do símio.
Lá vem ele, minha presa, o sociólogo autodidata, fazendo sua caminhada vespertina, estou uma pilha de nervos, mas o recurso está ajudando.
_Sr, Modesto?
_Pois não?
_Tenho um recado para o senhor.
_Recado?.
_Sim, a maior prova!! Os ditadores brasileiros tiveram o poder centralizado, porém mergulharam o país em dívidas, não desenvolveram nossa capacidade de produção, e ainda deram a chance para florescer o anti patriotismo e a repulsa política. E a maior prova está ao seu redor, basta observar! Mas calma! E problema é mais abrangente do que você imagina, e se serve de consolo, a sua ideologia e a dos seus foi apenas uma conseqüência, um desencadeamento natural das coisas.
_Que,que, como...
_Calma! É só para o senhor não morrer equivocado!
Saio rapidamente, esse é o segredo do processo, tornar a abordagem forte, porém recheada com elementos teatrais, a diferença está apenas no poder e no tipo de abordagem, estou longe ainda do ideal, mas minha luta interna é para alcançá-lo.

2 comentários:

Ciro M. Costa disse...

Hahahahahahah!! Que que isso? Mais uma das histórias do Baricentro??

Muito bom, muito bom, ora bolas, muito bom!

Cissa Teixeira Oliveira disse...

Trechos que considero os mais brilhantes do texto:

"Justamente por causa das milhares de reações químicas que acontecem dentro do homem, queira ou não queira, viver dói..."

"o homem necessita sempre viver em estado de perigo, ter sempre um inimigo comum, estar sempre em guerra, e quando na falta deste inimigo, ele cria um..."

Aí, Flávio, se um cara me abordasse na rua e falasse tudo isso que está no seu texto, certamente eu me apaixonaria por ele. Baricentro, esse herói do cotidiano (caso seja mais uma das histórias dele), parece ser um grande homem... E age como o beija-flor no incêndio da floresta: atitude admirável!!!

Bjos!!!