segunda-feira, 23 de abril de 2007

O dilema das armaduras

Personalidade forte é uma coisa rara de se obter, não se tornar escravo dela mais ainda.
Pelo que ando estudando, uma das chaves para a liberdade é vencer seus medos, e o interessante é que houve uma época em minha vida que achei que não tinha medo de nada, chega a ser irônico.
Um dos meus maiores medos é o medo de pessoas, medo de como irão julgar meus atos, isso se chama insegurança, e é por causa dela que uso armadura.
Armadura, um belo nome para definir um meio de interação social, um meio de proteção que se resume em um comportamento introspectivo.
O ideal de todo guerreiro é chegar ao máximo de aperfeiçoamento, não necessitando mais do uso de proteção, ou seja uma personalidade com capacidade extrema de lidar com situações cotidianas.
Mas ter personalidade forte e se tornar escravo da mesma, se constitui a maior armadilha na vida do guerreiro, pois este cai em um modo estacionário, pois perde a introspecção, que é a chave para o auto conhecimento e conseqüentemente para o mapeamento dos medos internos.
Mas devido o isso desta armadura meu ataque se torna lento, pois a armadura possui um peso elevado, resumindo, minha insegurança inibe minha interação social, e na necessidade de um ataque, minha espada é lenta e imprecisa.
Estou tentando achar o caminho para no mínimo encontrar uma armadura mais leve, e no meio deste caminho tenho me tornado ainda mais introspectivo, devo estar indo na direção errada, me afastando do equilíbrio.
Dentro da filosofia dos grandes samurais podemos tomar lições valiosas, porém o caminho deles era um pouco diferente da era atual, mas uma interpretação a luz dos valores atuais poderia indicar o caminho.
O primeiro caminho do guerreiro é se fundir com sua espada, esta em sua mão seria uma extensão do seu corpo, seus golpes tão automáticos e rápidos quanto um piscar de olhos.
O segundo caminho, é um grande diferencial entre os guerreiros, a espada já não reside na mão e sim no coração, com as mãos nuas o guerreiro atinge seus objetivos, o guerreiro já não necessita de ferramentas como a espada, ele pode usar um galho ou uma simples folha.
No terceiro caminho, o guerreiro engloba tudo a sua volta, a espada já não existe mais, ele se torna parte do meio e o meio parte dele. Parece bem simples, a primeira vista, porém sem um mestre torna o caminho meio que inacessível, o único que por sorte avistei no meio do percurso foi o Príncipe Guilhermino, porém ele não se encontra mais, até achar a estrada de novo continuarei com meu método, preciso das pessoas, olhos humanos, e nestes olhos ver o meu próprio reflexo.

2 comentários:

Ciro M. Costa disse...

Hahhahahhaha!!! "Príncipe Guilhermino". Ah neeeeem, cara!!! Hahahhahaha!! Massa DEMAIS!
Cheguei a pensar no começo que se tratava de um texto sério, que vc estivese falando de si mesmo!
Excelente!

Cissa Teixeira Oliveira disse...

Encontrar o equilíbrio: eis o objetivo da vida!!! Essa analogia entre guerreiro, espada e armadura explica tudo de maneira incrível!!! Simplesmente sublime!!!
Parabéns, Flávio!