quinta-feira, 15 de março de 2007

A Lápide de Narciz


Começo a enxergar a luminosidade do astro rei, mas ainda não vejo seu brilho por inteiro. Já se passaram 887 dias desde que isso aconteceu.
Ah, como é lindo ver o sol se despontar no horizonte, como é bela essa cena tão repetitiva, mas não enjoativa.
Estou aqui deitado neste chão, dividindo o espaço com estes novos amigos. De pensar que um dia já tive nojo, repulsa e hoje são meu confidentes de historias vividas e sonhos perdidos, hoje os vejo de outra forma, como única companhia, não os vejo mais como ratos. Como o mundo gira!
Ainda me lembro como parei aqui...Se não fosse tudo que fiz, tudo que tentei ser, seria mais livre, seria eu mesmo, não tentaria me passar por quem não sou, agora pago a duras penas e sou obrigado a me aceitar, vejo o quão desnecessário foi fazer tudo que fiz, quero apenas viver, que seja com meus novos amigo cuja a única ambição é abancar a migalha que deixo ao chão.
Como fui tolo!
Hoje pairo radiante sobre o brilho solar que um dia me veio a prejudicar, distante de tantas outras fontes que usufrui apenas essa maravilha que me resta. Longínquo, único e soberano, assim como um dia pensei que fosse, assim como um dia achei que meu brilho nunca iria acabar...Mas acabou!
Este brilho que nunca acaba, ofuscante talvez, mas o único fulgor que passa por esta sala escura e reflete meu semblante contra a poça d’água.
Como fui tolo!

3 comentários:

Ciro M. Costa disse...

E que lhe sirva de lição! Hahahahhahaha!! Muito bom, Gorlas! Me fez até lembrar mais uma das "Capemi Histories"! Uma vez que nos deitamos no chão lá. Nada a ver, né? Hahahhahaha!!
Ficou bem legal! Poético até! Tá poeteiro, hein?

Flavio Carvalho disse...

Caramba carlos,


massa demais cara,

muito loco o texto meu

Cissa Teixeira Oliveira disse...

Também gostei demais!!! Profundo e me levou a refletir... Tudo muda de acordo com a perspectiva, ou seja, tudo é relativo, né?! Parabéns e bjos!!!